8 de Março: memória, luta e desafios no combate à violência contra as mulheres
O Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, é uma data histórica para o movimento feminista, carregada de simbolismo e luta por equidade. Reconhecido pela ONU (Organização das Nações Unidas) no século XX, o 8 de Março tem como um de seus marcos as mobilizações de operárias russas na cidade de São Petersburgo, em 1917. O movimento, conhecido como “Pão e Paz”, levou mais de 90 mil trabalhadoras às ruas em reivindicação por melhores condições de trabalho, salário justo e o fim da fome e da guerra.
Passados mais de cem anos, as pautas que denunciavam a precarização do trabalho, a fome e a desigualdade de gênero continuam mobilizando não apenas a indústria, mas diversos setores profissionais ao redor do mundo. Embora avanços importantes tenham sido conquistados, como o direito ao voto, à educação formal e à participação política, ainda persistem desafios estruturais, como a disparidade salarial, a sobrecarga do trabalho doméstico não remunerado, a violência de gênero, muito ligada à violência doméstica, e a sub-representação feminina em cargos de liderança.
O Brasil registrou uma média de quatro mulheres assassinadas por dia em crimes ligados diretamente à condição de gênero, de acordo com dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública, por meio do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp). São números que exigem atenção redobrada à cultura da misoginia, do ódio e do desprezo ao corpo feminino, discursos que também encontram espaço de difusão na cultura digital, inclusive em comunidades identificadas com a chamada “red pill” (ou pílula vermelha), frequentadas por homens de diferentes faixas etárias.
Também vale ressaltar que, desde a Lei do Feminicídio (Lei 13.104/2015), responsável por qualificar o assassinato de mulheres por razões de gênero como crime hediondo, os registros oficiais cresceram de forma significativa no país. Parte desse aumento decorre da melhor tipificação e visibilidade estatística, mas os dados indicam que o reconhecimento jurídico, por si só, não é suficiente para conter a violência. Isso nos mostra que o Estado reconhece a necessidade de amparo às mulheres, porém ainda carece de investimentos estruturais em políticas preventivas, especialmente na educação de base, voltadas à promoção da igualdade de gênero, ao enfrentamento da violência doméstica e à construção de relações mais equitativas.
É importante lembrar que instituições públicas, assim como a mídia e a sociedade civil, desempenham papéis fundamentais na transformação cultural necessária para enfrentar o antifeminismo e combater narrativas que naturalizam a violência. O compromisso com a equidade não se limita à punição, mas passa pela formação, pela informação responsável e pela consolidação de redes de proteção eficazes.
O 8 de março permanece como um marco de memória e mobilização coletiva. Mais do que uma data simbólica, representa a continuidade da luta por justiça, pela garantia de direitos e pela construção de uma sociedade verdadeiramente igualitária.
